E agora dirijo-me a vocês como realmente são: Piratas, princesas, guerreiros....É assim que Meliès anuncia para a plateia reunida em sua homenagem, ao fim do filme Hugo Cabret, a exibição de trechos de filmes produzidos por ele. Meliès não produzia filmes para pessoas comuns. Quando escolhia uma trama e fazia um filme ele pretendia dialogar com o que havia de mais especial e mágico em cada um dos espectadores que iriam acolher sua obra. Meliès tratava com nobreza seu público, enxergando neles sujeitos magníficos (supondo que cada um de nós tem dimensões extraordinárias escondidas prontas para serem compartilhadas!).
Fazendo um paralelo com a educação, costumo perguntar aos meus alunos (professores e futuros professores) quem é a platéia que os professores vislumbram quando preparam uma aula? Eles dirigem-se aos alunos como médicos, astronautas, atletas, músicos, cientistas, professores...ou meninos e meninas medíocres (que eu intencionalmente provoco-os dizendo "jumentinhos")?
É aí que o NEC existirá em seu primeiro momento de vida, neste ecótone complicado em que "jumentinhos" e sereias são convidados a dialogar. Nosso grupo transitará por este território híbrido produzindo filmes de maneira a combinar elementos familiares com ingredientes improváveis. Iremos privilegiar a experimentação de formatos e linguagens."Au revoir, Shoshanna!" (Bastardos Inglórios, Tarantino)
As ideias aqui expressas são de Ana Paula Bossler