Publicações

O filme Viagem à Lua, apresentado ao público em 1902 pode ser considerado a primeira ficção científica em película da história. Na época, a fita representou um avanço significativo para o cinema, pois continha uma história completa, com enredo e personagens. Até então, o chamado cinema limitava-se a projetar uma seqüência de imagens animadas, desprovidas de qualquer conexão. O número de pessoas que procuravam as salas de projeção, incluindo as crianças, revela que a população compartilhava e manifestava genuíno interesse pela novidade. O cineasta francês Jean Rouch [1] conta que aos seis ou sete anos, foi levado por sua professora primária para ver cinema, um deslumbramento que lhe marcou a vida. Percebendo o efeito encantatório do cinema sobre as pessoas e considerando seu poder multiplicador, educadores da época acreditaram ser a sétima arte um recurso sem precedentes para a educação. Esse mesmo interesse foi observado com o advento do rádio, da televisão e mais recentemente da WEB. As novas tecnologias permitiriam formas novas de aprendizagem: novas lógicas, competências e sensibilidades. Comportamentos bem diferentes do processo linear, sistemático e previsível, encontrados nas aprendizagens norteadas pelos aspectos supostamente racionais, privilegiados pelas estratégias regulares de ensino. Desde então, mídia e educação têm vivido uma relação paradoxal em que assumem similaridades e rejeitam elementos constitutivos de cada instância. Se as mídias precisam admitir a dimensão ética de sua inserção na vida das pessoas, e rever a ideia de que o entretenimento estaria desobrigado a pensar no papel social que possuem, as escolas também precisam reconhecer suas limitações e o desserviço que têm exercido junto aos jovens, que associam as situações de aprendizagem como momentos de desprazer. O Núcleo Experimental de Cinema não pretende produzir filmes para os conhecidos nichos educativos, tampouco descarta estes espaços. Evitando colar-se a rótulos que pré-definiriam o tipo de produção que irá realizar, o grupo pretende produzir filmes que despertem o interesse das pessoas e viabilizem/potencializem aprendizagens. À qualidade técnica e estética serão acrescidas perspectivas dialéticas do aprender. (Fragmento de texto de Ana Paula Bossler, dissertação de mestrado/2004)